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18 fevereiro 2018

EDITORIAL: EVITEMOS O JEJUM DE FACHADA


EVITEMOS O JEJUM DE FACHADA
(Por Erivelton Mendes)
O papo hoje é bem direcionado e espero que entenda que não se trata de uma crítica a igreja e sim ao fato de estarmos perdendo aos poucos o sentido de certos costumes. Desde que me entendo por gente sou Cristão Católico Apostólico Romano e enxergo verdades absolutas na minha religião e me sinto a vontade para falar, pois vivo e estudo a minha fé. Mas ao longo dos meus anos como católico praticante venho observando que muitas ações estão perdendo seu sentido real e virando atos mecânicos e pré-determinados, não por culpa da igreja, mas pela influência da vida moderna e hipócrita que levamos. Um exemplo clássico é o jejum, lembrança oportuna já que estamos vivendo a Quaresma (período de quarenta dias que antecede a Páscoa)

Nos meus primeiros passos aprendi que o jejum devia ser feito na sexta-feira santa (abstinência de carne vermelha) e na quarta-feira de cinzas (de fato são as duas datas exigidas pela igreja). Com o passar dos anos, fui orientado a jejuar durante toda a semana santa e agora em toda quaresma (não como obrigação, mas como mortificação). Mas percebi que tudo isso passa a ser irrelevante se não mudarmos de fato o nosso comportamento, nos arrependermos de nossas mazelas e inconsistências da fé. 

Do que adianta eu não comer carne vermelha e me empanturrar com os venenos da língua e devorar a integridade física e emocional do próximo? Guardar o jejum durante quarenta dias e permanecer frio, arrogante, prepotente, preconceituoso, soberbo, egoísta entre outras pechas que praticamos no nosso dia a dia? Nossas atitudes devem ser voltadas para a apreciação de Deus e não para mostrar, aos que estão ao nosso redor, o quão grande é nossa fé e o nosso sacrifício carnal.

Não tenho dúvidas que o verdadeiro jejum é recolhimento excelente para nos desapegarmos das coisas desse mundo e nos colocarmos humildemente aos pés de Deus, mas precisamos reaprender a nos conectarmos verdadeiramente com o criador.