PREFEITOS DA REGIÃO SE REÚNEM EM DEFESA DOS ROYALTIES DO PETRÓLEO

O prefeito de Italva e presidente do Cidennf, Léo Pelanca, participou de uma reunião na última quinta-feira (16), em Cabo Frio, com diversos outros prefeitos da região para reforçar a união contra a redistribuição dos royalties do petróleo. Na pauta, os chefes de Executivos destacaram os principais impactos que a partilha da compensação pode acarretar aos municípios. Também foram planejadas novas ações em defesa dos royalties.

O julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade, que trata das regras de distribuição dos royalties do petróleo e gás natural, foi marcado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para o dia 6 de maio. A apreciação do tema coloca em jogo a saúde financeira de vários municípios, inclusive nas regiões Norte/Noroeste Fluminense.

O foco central do movimento é reforçar a tese de inconstitucionalidade da redistribuição dos royalties e participações especiais, defendida pelos estados produtores, como Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. O entendimento é de que a mudança promovida pela lei federal fere o pacto federativo, viola a segurança jurídica e desrespeita contratos firmados sob regras anteriores, além de contrariar o artigo 20 da Constituição, que assegura compensação aos entes diretamente impactados pela atividade petrolífera.

Além dos municípios que compõem a Ompetro (Organização dos Municípios Produtores de Petróleo), o movimento é fortalecido por outros consórcios, como o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento da Região dos Lagos (Conderlagos); Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense (Cidennf) e Associação Estadual dos Municípios do Rio de Janeiro (Aemerj).

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, também participou da reunião, que teve como anfitrião o prefeito de Cabo Frio, Dr. Serginho. “Coloco a cidade do Rio à disposição dos municípios para organizar estudos e dados, para contribuir com a mobilização. A importância da indústria do petróleo no estado do Rio é comum para todos municípios fluminenses. Para a indústria do petróleo se desenvolver aqui no Estado, as melhores mentes se dedicaram. Não dá para separar o sucesso da indústria do petróleo no Brasil do sucesso da indústria do petróleo no Rio. Precisamos aproveitar o respeito que o governador em exercício Ricardo Couto tem em Brasília, tem no STF. Acho importante a gente se articular como municípios, ao lado do governador, nessa mobilização, fortalecendo a liderança dele. Os royalties são previstos na Constituição e contratos perfeitos foram assinados sob esse marco, sob esse pacto federativo", comentou Cavaliere.

No dia 7 de abril, o prefeito Frederico Paes chegou a articular uma reunião entre os prefeitos de municípios produtores de petróleo e o governador em exercício, Ricardo Couto de Castro. Na ocasião, foi entregue ao governador um estudo de impacto sobre os efeitos da Lei 12.734/2012, que estabelece novas regras de redistribuição dos royalties. Como próximas ações, os prefeitos deliberaram uma ida à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), em bloco de consórcios e organizações, no próximo dia 28.

O presidente do Cidennf e Prefeito de Italva, Leo Pelanca, ressaltou os impactos que a redistribuição pode gerar. "Royalties não é favor, é direito de compensação. A gente que é do Noroeste Fluminense sabe que perder qualquer receita é muito difícil. Não tem como explicar porque a ambulância vai parar, a Educação vai fechar a creche, que vai faltar remédio", disse.

Os números levantados pela Ompetro evidenciam o impacto que a eventual validação da nova regra pode causar nas finanças municipais. Pelos cálculos da entidade, se a redistribuição passasse a valer para todos os contratos em vigor, Campos teria recebido em março apenas R$ 12,03 milhões em royalties, em vez dos R$ 46,6 milhões efetivamente depositados, uma perda de 74,18%. Na participação especial, outra receita fundamental para investimentos estruturantes, a estimativa é de redução de 60%, comprometendo diretamente a capacidade de investimento dos municípios produtores.




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