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17 fevereiro 2019

BUG DO MILÊNIO

Então estamos em 2019. É, o tempo é implacável. Para muitos de nós parece que foi ontem que nos preocupávamos com o bug do milênio e começávamos a nos encantar com a internet, que já existia fazia algum tempo, mas que chegava ao público do país naquele momento. As informações chegavam mais rápido e a comunicação entre todos evoluía de forma espantosa e claramente estávamos entrando em uma nova era digital.

Muitos jovens já nasceram e cresceram com tudo isso no dia a dia. Desconhecem as cartas e os cartões enviados pelos correios e escritos manualmente. Nunca sentiram a ansiedade de esperar uma revista ou jornal na banca para conferir uma publicação sobre algo de muito interesse. A grande maioria nunca se irritou com fantasmas e o vertical da TV e muito menos ficou horas ouvindo músicas e venerando o encarte do novo disco que comprou ou ganhou.

Não tínhamos celulares com internet e por isso marcávamos encontros nas praças, lanchonetes, barzinhos ou na casa de alguém para jogarmos jogos de tabuleiro, tocar violão e cantar músicas que ouvíamos no rádio, contar piadas, paquerar ou simplesmente jogar conversa fora. Não era preciso ter algum evento na rua para os jovens lotarem os pontos de encontro da cidade.

A tecnologia chegou, não de uma hora para outra, mas foi invadindo nossas casas e ao poucos mudando nossas vidas, trazendo com ela o tão temido bug do milênio. Mas ao que parece a pane não atingiu os computadores, mas vem confundindo uma geração que está acostumada com algumas facilidades que de certa forma atrapalham seu crescimento como pessoa humana.

Os tempos são outros e ao que parece a humanidade não estava preparada para tamanho avanço. Estamos em um momento em que não conseguimos acompanhar a quantidade de informações que chegam ao aparelho celular. Uma avalanche de notícias nos confunde a todo tempo e coloca em dúvida a veracidade das histórias. Com o advento das redes sociais o mundo virtual virou uma grande redação jornalística sem edição, revisão, conferência ou ética.

A tradicional “fofoca” de rua ganhou uma turbinada com os aplicativos de troca de mensagens e chega a um número espantoso de pessoas em velocidade alarmante. Relações estão se deteriorando e as pessoas se isolando, ficando entediadas e com enormes dificuldades em se relacionar. A tecnologia da informação e a vasta aceitação das redes sociais vieram com o propósito de deixar nossa vida mais conectada e, em vários níveis, muito mais fácil. Mas os efeitos colaterais disso são refletidos claramente nos relacionamentos interpessoais.

Quase 20 anos após o tão anunciado bug do milênio, percebo que os computadores estão cada vez melhores, já nós, não tenho tanta certeza.