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03 julho 2016

PRODUTORES DE LEITE APOSTAM NO COOPERATIVISMO EM ITALVA

O preço do leite subiu nas últimas semanas em todo o Brasil, e um estudo no interior do Estado do Rio tenta reverter esse cenário. A situação pode ser favorável ao fortalecimento das cooperativas de laticínios de produtores familiares no Norte Fluminense. Isso encurta o caminho entre o campo e a mesa, além de diminuir os custos de produção e aumentar o lucro. Além disso, os consumidores passam a pagar um preço mais justo por um produto essencial. “Hoje existe a figura do atravessador, que compra o leite do produtor e o vende para os laticínios. Após a industrialização, o laticínio vende ao supermercado, e este ao consumidor, com um preço muito mais alto. No sistema de cooperativa, é como se o produtor vendesse diretamente para a dona de casa. Sem o atravessador, o preço na gôndola cai”, explica Carlos Marconi, supervisor do escritório da Emater-Rio em Italva .

O próprio município de Italva, uma das maiores bacias leiteiras da região Noroeste Fluminense, é um exemplo da renovação dessa indústria. Antes, alguns produtores locais vendiam o leite de forma isolada, com pouco poder de negociação diante dos compradores, às empresas de  laticínios de outras cidades. Após reuniões, perceberam que havia mercado mais rentável para o trabalho em grupo e então há quatro meses, 29 sócios fundaram a Cooperativa de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Italva (Copafi).

Crescimento planejado
Ainda sem capital para adquirir uma sede própria, a Copafi começou apostando em parcerias para crescer. Temporariamente, a cooperativa funciona em um prédio da Emater-Rio, pois a ação faz parte da estruturação da cadeia do leite, coordenada pelo Programa Rio Rural. Enquanto moderniza seu parque industrial, a cooperativa envia 75% de sua arrecadação diária para processamento em uma indústria na região Serrana com a qual estabeleceu acordo comercial. Hoje, o iogurte e o leite em pó abastecem as escolas públicas de Italva, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Há um mês, o leite em saquinho, fabricado na sede da Copafi, começou a ser vendido em pequenos comércios e padarias. Como o caminho entre o produtor e consumidor final encurtou, o preço está competitivo. “Os clientes têm gostado e eu tenho aumentado os pedidos. A qualidade é boa. É bem melhor valorizar um produto local, pois chega bem fresco aqui”, comenta Henrique Mendel, proprietário da Mercearia Mendel, em Italva (foto acima). A próxima meta dos cooperados é produzir queijo frescal e, aos poucos, investir na cadeia de produtos lácteos. Para ajudar na comercialização, um carro refrigerado deverá ser adquirido e um ponto de venda ao público está sendo equipado na sede da cooperativa. “Queremos agregar valor aos nossos produtos para sermos referência regional. Isso trará benefícios enormes para o pequeno produtor. Aqui, os lucros são repartidos”, comenta o presidente da Copafi, Luís Carlos Barros.

Os custos de produção também diminuíram. Os produtores passaram a fazer compras coletivas de insumos para alimentar os animais, como farelo de milho e soja. “Só em uma saca, a economia é de R$ 15. No fim do mês isso gera muita economia”, calcula o produtor Nilton Fernandes.

Cenário favorável
As cooperativas familiares representam um ponto importante para o amadurecimento das comunidades rurais. “Existe demanda, existe gente capaz de produzir. Nosso papel é fazer o elo e dar incentivos para que os grupos possam começar a caminhada e depois andar sozinhos”, enfatiza o secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo. Em  Italva, a maioria dos cooperados é beneficiária de ações do Rio Rural, para a aquisição de ordenhadeira mecânica, inseminação artificial do gado e pastejo rotacionado, sistema que fornece alimentação contínua para os animais. “Essa base propiciou o crescimento da produção leiteira individual. Juntos, eles perceberam que podiam conseguir mais. O consumidor ganha produto de qualidade e por um preço acessível. O produtor ganha mais porque a cooperativa é dele. A economia local ganha com o aquecimento da venda interna”, conclui Marconi. Ascom-Rio Rural