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16 julho 2016

PECUARISTAS APRENDEM TÉCNICAS DE INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL EM ITALVA

Um dos mais importantes  desafios dos pequenos pecuaristas é aumentar a produção de leite. Entre os obstáculos competitivos estão o tamanho da propriedade (geralmente limitado), a seca (que diminui a quantidade de alimentação) e o baixo desempenho do gado doméstico, reproduzido de forma espontânea. Para mudar este quadro, produtores de Italva participaram esta semana do curso sobre inseminação artificial do gado, organizado por meio de parceria entre o Programa Rio Rural, a Emater-Rio e a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio). A inseminação artificial promove o melhoramento genético do rebanho, pois as vacas recebem sêmen de touros de raças com alto desempenho produtivo, geralmente europeias.  “Com uma boa genética, as vacas têm uma conversão melhor, pois conseguem transformar o alimento em leite com maior facilidade. Resumindo: produzem mais”, explica Wagner Nunes, técnico da Emater-Rio.
 
Campo como sala de aula
Durante três dias, 17 produtores tiveram aulas teóricas e práticas na Fazenda Experimental, da Emater-Rio, em Italva. O curso, ministrado pelo pesquisador da Pesagro-Rio, Pedro Afonso Alves, se baseou no padrão estabelecido pela ASBIA, que possui regras para manuseio do sêmen e manejo dos animais. O trabalho de inseminação artificial é feito em dupla. O ajudante é responsável pela separação do material genético, enquanto o inseminador é quem aplica o sêmen no útero da vaca por meio de uma pipeta (pequeno cano). “No início é complicado adotar a técnica, mas com a repetição aqui no curso, fica mais fácil”, comenta Patrícia Abelha, que ajuda o marido a cuidar de um curral com 35 vacas. “Planejamos diminuir a quantidade do rebanho, mas produzir mais leite. Isso só será possível com a inseminação”, completa.

De acordo com Alves, um dos pontos fundamentais para o sucesso da inseminação é a identificação  do cio. São apenas 12 horas em que a vaca está preparada para receber o material genético. É preciso que o insemidor esteja atento aos sinais físicos como cauda erguida e falta de apetite.

Vantagens da inseminação
A inseminação artificial promove melhoramento genético a baixo custo, pois as doses de sêmen podem ser encontradas no mercado a partir de R$ 20. Outro ponto positivo é a padronização do rebanho. “Os touros superiores geram vacas especializadas. Com a procriação delas, teremos  lotes de animais com perfil zootécnico muito semelhante”, detalha o supervisor do escritório da Emater-Rio em Italva, Carlos Marconi.

E ainda há benefícios para saúde dos bovinos. No processo de reprodução natural, a vaca pode ser contaminada por doenças transmitidas por um touro e vice-versa. Some-se a isso o aumento de descendentes de um reprodutor de boa procedência. Pelo método natural, um touro pode gerar até 400 filhotes.  Com a inseminação, o número chega a 100 mil. O produtor José Moreira está entusiasmado.  A produção média de seu rebanho é de cinco litros por dia. Com as vacas inseminadas, pode subir para 25 litros. “Se eu fosse comprar uma vaca de raça, não sairia por menos do que R$ 7 mil. Não tenho esse dinheiro. Agora que aprendi a inseminar, não preciso pagar para ninguém aplicar. Eu faço o serviço”, diz ele.

A preparação da propriedade
O pesquisador da Pesagro-Rio, Pedro Afonso Alves, afirma que não basta que o produtor domine a técnica para iniciar a inseminação. É preciso observar previamente a oferta de alimentos para os animais, pois as vacas especializadas demandam custos maiores, principalmente com o acréscimo de ração na dieta. O produtor José Maria está atento a isso. Beneficiado pelo Rio Rural com subprojeto de formação de pastagem, ele começou a plantar capim há oito meses. “Foi uma grande ajuda. Para ter vaca boa, era preciso alimentação boa”, complementa.

A seleção dos animais a serem inseminados também é importante. Desde o primeiro semestre, veterinários da Pesagro-Rio fazem acompanhamento do rebanho de Italva. Testagens verificam a presença de doenças como mastite, inflamação na teta das vacas que compromete a qualidade do leite. “Percebemos que a ocorrência de mastite já caiu 20%. Os animais passaram por vacinação, alguns foram tratados com antibiótico e já estão respondendo”, enfatiza a veterinária Lêda Kimura. Em janeiro deste ano, produtores de Italva receberam gratuitamente mil doses de sêmen de touros de raça. O curso prático sobre inseminação é mais uma etapa do projeto Intecral, parceria entre o Rio Rural e o governo alemão, que trabalha para modernizar e desenvolver o interior fluminense de forma sustentável. Ascom/Rio Rural