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25 outubro 2015

INVASÃO DE ITALVENSES NA NOITE CARDOSENSE

Esta coluna é publicada aos domingos
Faz tempo que ando percebendo que Italva perdeu seu movimento noturno nas praças e locais comuns de encontro. Onde está todo esse povo? O que aconteceu? Lembro-me perfeitamente da Praça da Matriz cheia, os quiosques faturando, gente de todas as idades e lugar. E olha que não faz tanto tempo assim. Cheguei a pensar que a culpa era da internet, que de certa forma vem nos escravizando gradativamente. Não. A rede ainda não é a grande vilã do desaparecimento das pessoas da vida noturna italvense. O problema é um pouco mais complexo.

Por hora descobri  onde anda boa parte desse pessoal; Cardoso Moreira. Isso mesmo. Logo alí. Na cidade vizinha. Já me relataram isso, mas só agora ví com meus próprios olhos. Em um destes fins de semana fui até a cidade carinho experimentar uma pizza em uma casa que está tão falada e recomendada por aqui. De fato o lugar é aconchegante e o produto muito bom e para minha surpresa, pertence a italvenses. E mais: Estava cheia de que? Italvenses.

Saindo da pizzaria resolvi tomar um sorvete na praça principal da cidade, achando que veria o mesmo quadro desolador que vejo ordinariamente em Italva. Tolo eu fui. Primeiro que pra estacionar o carro nas proximidades foi difícil. Tive que deixar a uns 500 metros. Quando cheguei ao local fiquei de boca aberta e pensei: Aqui não tem internet? Parecia que boa parte da população tinha marcado encontro. Os quiosque lotados e bares no entorno cheios. O parque infantil, que diga-se de passagem bem melhor que o daqui, tinha mais crianças que na creche. Parecia uma festa, mas não era. "Apenas uma noite normal de sábado", me disse um morador. E sabe o que mais me chamou atenção? Lá estavam muitos italvenses.

Fiquei feliz por nossos amigos cardosenses, afinal, é bonito ver o povo interagindo, se relacionando da forma tradicional, sorrindo, comendo, bebendo e vivendo. Mas simultaneamente me entristeci ao lembrar da minha Italva. O que houve conosco. Vamos sucumbir ao esquecimento? Vamos deixar a chama se apagar? Se contentar em sair do município para encontrar diversão, encontro, cultura e tudo mais?

Talvez estejamos errando pela omissão. Deixando pra lá e considerando que não tem volta. Já era. Foi-se. Acabou. Não. Não acabou. Ainda é possível recuperar o ânimo de nossa gente e resgatar aquilo que temos de melhor. Vamos acordar, para que no futuro não nos arrependamos de ter passado nossos dias em um sono profundo e de olhos abertos. Deus nos abençoe e boa semana.

Erivelton Mendes é radialista desde 1995 e atualmente apresenta o Programa Canal Livre na Rádio Oásis FM em Italva. Saiba mais clicando aqui. Também está no Facebook e no Blogger.